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A sessão infanto-juvenil não é mais um território livre

A Bienal do Rio acabou e ainda não tinha dado tempo de escrever sobre ela. Foi um tempo muito divertido, as crianças amam ler e o evento é um prato cheio para amantes das letras.

Mas neste ano, a Bienal me surpreendeu. E não foi positivamente, nem negativamente. Ainda não sei dizer como saí de lá. Choque, talvez me defina neste momento.
Listarei 3 motivos em 3 posts diferentes, pra não virar “textão”.

Os 10 livros mais vendidos na Bienal não são de autores conhecidos e aclamados.
Isso mesmo. Dos 10 livros mais vendidos pela Saraiva na Bienal, oito são de Youtubers (que também é a “profissão” mais desejada hoje pelas crianças). Os outros dois, são de atores.
E isso não é mentira nem manipulação midiática, vi com meus próprios olhos, no stand da Saraiva.

Nossa visita à Bienal, caiu justamente no dia de um youtuber famoso. As filas se avolumavam no lado de fora e eu fui ficando tensa, pois chegamos cedo para pegar senhas para a sessão de autógrafos do Ziraldo.
Quando os portões se abriram, foi aquele corre-corre, e eu crente que era para pegar as senhas com os escritores. Qual não foi a minha decepção quando, 15 minutos antes dos autógrafos do Ziraldo começarem, ainda existiam senhas disponíveis.

Em um dos stands, uma expositora, vendo minha filha pré-adolescente, de cabelo pintado, perguntou:

– “Você veio ver a “(youtuber)”?” –  Lisa com cara de interrogação.

– “Não”, disse eu, “nós viemos ver o Ziraldo e o Mundinho Geek”. Ela, com um suspiro longo e indisfarçável, disse:

-“Nossa, que bom! O público da Bienal mudou, menina” – continuou o desabafo – “não dá pra acreditar na quantidade de gente que vem aqui só pra conseguir um autógrafo. É uma gritaria, uma bagunça, atrapalha a programação dos stands…”

-“É, eu percebi…a gente chegou cedo pra pegar senha pro Ziraldo e viu a quantidade de gente brigando por senhas”.

-“Ziraldo?” – ela lamentou – “Hoje tá dificil ver fila pra escritores consagrados.Você pode chegar meia hora antes que ainda vai encontrar senha…”

Fui então folhear o livro da tal youtuber que estava na Bienal para lançar o seu terceiro livro. Não precisei folhear. Abri numa página aleatória e fiquei chocada.
Não tenho nada contra você publicar o que quiser. O problema é que hoje as crianças têm acesso indiscriminado à qualquer tipo de conteúdo. O que faz com que elas acessem seus canais e consumam seus livros, youtubers.
Não é toda mãe que senta e vai ler um livro antes de comprar pra filha. Não é toda mãe que monitora o que os filhos acessam.

Primeira lição aprendida. A sessão de livros infanto-juvenis não é mais território livre para crianças.

Carla
Carla
Carla Machado é casada com Ronald há 17 anos e é mãe da Lisa, do Levi e da Laís. É palestrante e coach de pais com especialização em Eneagrama, certificada pela International Enneagram Association.

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